Nas últimas décadas, os avanços da medicina espacial – desenvolvida para proteger e acompanhar a saúde de astronautas em missões – têm inspirado melhorias na prestação de cuidados de saúde em locais remotos na Terra. Atualmente, com o aumento do turismo espacial e de expedições de longa duração, torna-se crítico assegurar que mesmo viajantes espaciais não profissionais possam contar com monitorização de saúde adequada, incluindo gestão de medicação e identificação rápida de emergências médicas. No entanto, existe uma lacuna tecnológica: apesar de existirem ferramentas de telesaúde para monitorizar sinais vitais e realizar teleconsultas médicas na Terra, não havia até então uma solução focada em assistência farmacêutica remota de forma integrada. Este é o contexto que motivou a criação desta plataforma – transferir o conhecimento e experiência da saúde digital terrestre para o domínio da farmácia espacial, garantindo suporte farmacoterapêutico tanto a pacientes isolados em regiões desfavorecidas, como futuramente a astronautas e turistas espaciais em órbita ou em missões de longa duração.

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Imagem reproduzida do artigo.

Tipo de publicação: Resumo do Artigo
Título original: Development of a Digital Platform: A Perspective to Advance Space Telepharmacy
Data da publicação do artigo: Janeiro de 2023
Fonte: IEEE – Open Journal of Engineering in Medicine and Biology
Autor(es): Marlise A dos Santos, Juliana Herbert, Ilaria Cinelli (Member, IEEE), Jose Antonio L Burmann, Vinicius V Soares & Thais Russomano

Qual é o objetivo, público-alvo e áreas da saúde digital em que se enquadra?
     Este estudo propõe uma plataforma digital de telefarmácia (atendimento farmacêutico remoto) inspirada na medicina espacial, para melhorar o acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes em locais remotos ou com acesso limitado a cuidados de saúde. A telefarmácia tem como objetivo fornecer assistência farmacêutica contínua e informação sobre medicamentos à distância, contribuindo para a adesão terapêutica e para a prevenção de emergências médicas. O públicoalvo desta inovação são os profissionais de saúde – particularmente farmacêuticos – e pacientes que necessitam de acompanhamento farmacológico regular, mas que se encontrem em situações de difícil acesso a cuidados, como regiões remotas, zonas rurais, ou mesmo no futuro ambientes de exploração espacial. Em termos de áreas de saúde digital, o projeto enquadra-se nos domínios da telesaúde e telemedicina, com foco específico na vertente de telefarmácia e cuidados farmacêuticos digitais.

Qual é o contexto?
     Nas últimas décadas, os avanços da medicina espacial – desenvolvida para proteger e acompanhar a saúde de astronautas em missões – têm inspirado melhorias na prestação de cuidados de saúde em locais remotos na Terra. Atualmente, com o aumento do turismo espacial e de expedições de longa duração, torna-se crítico assegurar que mesmo viajantes espaciais não profissionais possam contar com monitorização de saúde adequada, incluindo gestão de medicação e identificação rápida de emergências médicas. No entanto, existe uma lacuna tecnológica: apesar de existirem ferramentas de telesaúde para monitorizar sinais vitais e realizar teleconsultas médicas na Terra, não havia até então uma solução focada em assistência farmacêutica remota de forma integrada. Este é o contexto que motivou a criação desta plataforma – transferir o conhecimento e experiência da saúde digital terrestre para o domínio da farmácia espacial, garantindo suporte farmacoterapêutico tanto a pacientes isolados em regiões desfavorecidas, como futuramente a astronautas e turistas espaciais em órbita ou em missões de longa duração.

Quais são as abordagens atuais?
     Atualmente, a telesaúde disponibiliza vários serviços remotos para acompanhamento médico, mas o componente específico de telefarmácia ainda é emergente. Em regiões remotas na Terra, muitos pacientes dependem de teleconsultas médicas e orientações telefónicas ou por videoconferência para gerir a sua medicação, mas estes serviços nem sempre são padronizados nem contam com sistemas inteligentes de apoio à decisão. Na prática clínica, a gestão farmacoterapêutica remota geralmente recorre a chamadas de acompanhamento feitas por profissionais de farmácia ou a apps de lembretes de medicamentos, porém sem a integração total de dados clínicos ou protocolo estruturado de atendimento. No contexto espacial, a tripulação de astronautas conta com equipas médicas de retaguarda e protocolos de telemedicina, mas não existe ainda um sistema dedicado de telefarmácia para apoiar a gestão de medicamentos no espaço de forma autónoma e em tempo real. Assim, a abordagem atual para cuidados farmacêuticos remotos está fracionada: há teleconsultoria médica e monitorização remota de sinais, no entanto uma plataforma unificada que articule o farmacêutico, o paciente e sistemas de apoio à decisão estava em falta. Esse vazio tecnológico motivou o desenvolvimento desta nova plataforma digital.

Em que consiste a inovação? Como é que é avaliado o impacto desta tecnologia? Ou Como é que a tecnologia apoia esta inovação?
     A inovação central do estudo é o desenvolvimento de uma plataforma digital de telefarmácia que integra teleassistência (acompanhamento ativo por um farmacêutico à distância) e teleconsultoria farmacêutica (esclarecimento de dúvidas, recomendações sobre medicamentos). Esta plataforma foi construída ao longo de um ano, incorporando uma arquitetura com dois módulos principais: um frontend (interface do utilizador, desenvolvido em ReactJS) e um backend (servidor NodeJS com base de dados MySQL). Inclui protocolos de serviço padronizados, inspirados pelas práticas espaciais, e um componente de inteligência artificial para suporte à decisão clínica – combinando diretrizes farmacoterapêuticas e dados do paciente para sugerir ações ou alertas ao farmacêutico. As principais funcionalidades abrangem videochamada para teleconsultas, registo e partilha de informação clínica (histórico de saúde, medicamentos, resultados de exames), agendamento de consultas e seguimento de casos após alta hospitalar. Todos os dados são protegidos por normas de privacidade (conformidade com RGPD) e foram validados por peritos legais.

     O impacto da tecnologia foi avaliado através de estudos piloto em ambiente terrestre, para comprovar os benefícios em contextos reais. A plataforma foi testada em dois cenários distintos: i) seguimento pós-alta de 20 pacientes cardíacos durante 30 dias; e ii) acompanhamento de saúde mental para 17 utentes durante 60 dias. Nestes ensaios de validação, mediu-se a taxa de adesão à medicação, a ocorrência de reinternamentos hospitalares e a satisfação de doentes e profissionais, comparando-se a intervenção via telefarmácia com as práticas convencionais.

Quais são os principais resultados? Qual é o impacto destes resultados? Ou Quais são os resultados obtidos? Quais são as principais conclusões destes resultados? Qual é o futuro desta abordagem?
     Os resultados preliminares são muito promissores: no grupo de doentes cardíacos, a plataforma ajudou a atingir 95% de adesão ao regime terapêutico, e após 9 meses observou-se uma redução de cerca de 25% nos reinternamentos hospitalares por descompensação, em comparação com grupos de controlo tradicionais. Além disso, 71% das recomendações farmacêuticas feitas através da plataforma foram aceites e implementadas pelos médicos assistentes dos doentes, evidenciando a confiança e a colaboração médico-farmacêutico mediada por esta ferramenta digital. No grupo de saúde mental, a utilização da plataforma contribuiu para que 88% dos pacientes apresentassem melhorias nos sintomas após dois meses de tele‑acompanhamento, e nenhum necessitou de ser novamente internado durante esse período. Notou-se ainda um aumento na adesão terapêutica dos doentes deste grupo (o número de pacientes não aderentes reduziu-se em cerca de metade, enquanto os pacientes aderentes aumentaram em 28%). Em ambos os cenários, todos os participantes que responderam à avaliação reportaram estar satisfeitos com o serviço, destacando a conveniência e utilidade do apoio remoto contínuo do farmacêutico.

     Em conclusão, a investigação mostra que uma plataforma de telefarmácia pode melhorar significativamente os cuidados farmacoterapêuticos no domicílio, aumentando a aderência a tratamentos e reduzindo complicações que levam a internamentos hospitalares. A plataforma, concebida para uso na Terra, demonstra também potencial para transferência tecnológica para missões espaciais, pois exemplifica como a saúde digital terrestre pode ser aplicada para apoiar astronautas e turistas no espaço. Os autores sublinham, contudo, que o sucesso da ferramenta depende de conjugar a tecnologia com intervenção humana qualificada, sendo essencial integrar o envolvimento próximo de profissionais de saúde (farmacêuticos e médicos) para assegurar a componente humanizada dos cuidados. Como perspetivas futuras, recomendam-se novos estudos e colaborações – idealmente em contextos mais próximos do espacial – para aperfeiçoar a plataforma, validar o seu desempenho em condições extremas e expandir o leque de serviços, com vista a consolidar a telefarmácia espacial como realidade em missões futuras.

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Data da publicação do artigo: Janeiro de 2023
Fonte: IEEE – Open Journal of Engineering in Medicine and Biology
Autor(es): Marlise A dos Santos, Juliana Herbert, Ilaria Cinelli (Member, IEEE), Jose Antonio L Burmann, Vinicius V Soares & Thais Russomano

Qual é o objetivo, público-alvo e áreas da saúde digital em que se enquadra?
     Este estudo propõe uma plataforma digital de telefarmácia (atendimento farmacêutico remoto) inspirada na medicina espacial, para melhorar o acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes em locais remotos ou com acesso limitado a cuidados de saúde. A telefarmácia tem como objetivo fornecer assistência farmacêutica contínua e informação sobre medicamentos à distância, contribuindo para a adesão terapêutica e para a prevenção de emergências médicas. O públicoalvo desta inovação são os profissionais de saúde – particularmente farmacêuticos – e pacientes que necessitam de acompanhamento farmacológico regular, mas que se encontrem em situações de difícil acesso a cuidados, como regiões remotas, zonas rurais, ou mesmo no futuro ambientes de exploração espacial. Em termos de áreas de saúde digital, o projeto enquadra-se nos domínios da telesaúde e telemedicina, com foco específico na vertente de telefarmácia e cuidados farmacêuticos digitais.

Qual é o contexto?
     Nas últimas décadas, os avanços da medicina espacial – desenvolvida para proteger e acompanhar a saúde de astronautas em missões – têm inspirado melhorias na prestação de cuidados de saúde em locais remotos na Terra. Atualmente, com o aumento do turismo espacial e de expedições de longa duração, torna-se crítico assegurar que mesmo viajantes espaciais não profissionais possam contar com monitorização de saúde adequada, incluindo gestão de medicação e identificação rápida de emergências médicas. No entanto, existe uma lacuna tecnológica: apesar de existirem ferramentas de telesaúde para monitorizar sinais vitais e realizar teleconsultas médicas na Terra, não havia até então uma solução focada em assistência farmacêutica remota de forma integrada. Este é o contexto que motivou a criação desta plataforma – transferir o conhecimento e experiência da saúde digital terrestre para o domínio da farmácia espacial, garantindo suporte farmacoterapêutico tanto a pacientes isolados em regiões desfavorecidas, como futuramente a astronautas e turistas espaciais em órbita ou em missões de longa duração.

Quais são as abordagens atuais?
     Atualmente, a telesaúde disponibiliza vários serviços remotos para acompanhamento médico, mas o componente específico de telefarmácia ainda é emergente. Em regiões remotas na Terra, muitos pacientes dependem de teleconsultas médicas e orientações telefónicas ou por videoconferência para gerir a sua medicação, mas estes serviços nem sempre são padronizados nem contam com sistemas inteligentes de apoio à decisão. Na prática clínica, a gestão farmacoterapêutica remota geralmente recorre a chamadas de acompanhamento feitas por profissionais de farmácia ou a apps de lembretes de medicamentos, porém sem a integração total de dados clínicos ou protocolo estruturado de atendimento. No contexto espacial, a tripulação de astronautas conta com equipas médicas de retaguarda e protocolos de telemedicina, mas não existe ainda um sistema dedicado de telefarmácia para apoiar a gestão de medicamentos no espaço de forma autónoma e em tempo real. Assim, a abordagem atual para cuidados farmacêuticos remotos está fracionada: há teleconsultoria médica e monitorização remota de sinais, no entanto uma plataforma unificada que articule o farmacêutico, o paciente e sistemas de apoio à decisão estava em falta. Esse vazio tecnológico motivou o desenvolvimento desta nova plataforma digital.

Em que consiste a inovação? Como é que é avaliado o impacto desta tecnologia? Ou Como é que a tecnologia apoia esta inovação?
     A inovação central do estudo é o desenvolvimento de uma plataforma digital de telefarmácia que integra teleassistência (acompanhamento ativo por um farmacêutico à distância) e teleconsultoria farmacêutica (esclarecimento de dúvidas, recomendações sobre medicamentos). Esta plataforma foi construída ao longo de um ano, incorporando uma arquitetura com dois módulos principais: um frontend (interface do utilizador, desenvolvido em ReactJS) e um backend (servidor NodeJS com base de dados MySQL). Inclui protocolos de serviço padronizados, inspirados pelas práticas espaciais, e um componente de inteligência artificial para suporte à decisão clínica – combinando diretrizes farmacoterapêuticas e dados do paciente para sugerir ações ou alertas ao farmacêutico. As principais funcionalidades abrangem videochamada para teleconsultas, registo e partilha de informação clínica (histórico de saúde, medicamentos, resultados de exames), agendamento de consultas e seguimento de casos após alta hospitalar. Todos os dados são protegidos por normas de privacidade (conformidade com RGPD) e foram validados por peritos legais.

     O impacto da tecnologia foi avaliado através de estudos piloto em ambiente terrestre, para comprovar os benefícios em contextos reais. A plataforma foi testada em dois cenários distintos: i) seguimento pós-alta de 20 pacientes cardíacos durante 30 dias; e ii) acompanhamento de saúde mental para 17 utentes durante 60 dias. Nestes ensaios de validação, mediu-se a taxa de adesão à medicação, a ocorrência de reinternamentos hospitalares e a satisfação de doentes e profissionais, comparando-se a intervenção via telefarmácia com as práticas convencionais.

Quais são os principais resultados? Qual é o impacto destes resultados? Ou Quais são os resultados obtidos? Quais são as principais conclusões destes resultados? Qual é o futuro desta abordagem?
     Os resultados preliminares são muito promissores: no grupo de doentes cardíacos, a plataforma ajudou a atingir 95% de adesão ao regime terapêutico, e após 9 meses observou-se uma redução de cerca de 25% nos reinternamentos hospitalares por descompensação, em comparação com grupos de controlo tradicionais. Além disso, 71% das recomendações farmacêuticas feitas através da plataforma foram aceites e implementadas pelos médicos assistentes dos doentes, evidenciando a confiança e a colaboração médico-farmacêutico mediada por esta ferramenta digital. No grupo de saúde mental, a utilização da plataforma contribuiu para que 88% dos pacientes apresentassem melhorias nos sintomas após dois meses de tele‑acompanhamento, e nenhum necessitou de ser novamente internado durante esse período. Notou-se ainda um aumento na adesão terapêutica dos doentes deste grupo (o número de pacientes não aderentes reduziu-se em cerca de metade, enquanto os pacientes aderentes aumentaram em 28%). Em ambos os cenários, todos os participantes que responderam à avaliação reportaram estar satisfeitos com o serviço, destacando a conveniência e utilidade do apoio remoto contínuo do farmacêutico.

     Em conclusão, a investigação mostra que uma plataforma de telefarmácia pode melhorar significativamente os cuidados farmacoterapêuticos no domicílio, aumentando a aderência a tratamentos e reduzindo complicações que levam a internamentos hospitalares. A plataforma, concebida para uso na Terra, demonstra também potencial para transferência tecnológica para missões espaciais, pois exemplifica como a saúde digital terrestre pode ser aplicada para apoiar astronautas e turistas no espaço. Os autores sublinham, contudo, que o sucesso da ferramenta depende de conjugar a tecnologia com intervenção humana qualificada, sendo essencial integrar o envolvimento próximo de profissionais de saúde (farmacêuticos e médicos) para assegurar a componente humanizada dos cuidados. Como perspetivas futuras, recomendam-se novos estudos e colaborações – idealmente em contextos mais próximos do espacial – para aperfeiçoar a plataforma, validar o seu desempenho em condições extremas e expandir o leque de serviços, com vista a consolidar a telefarmácia espacial como realidade em missões futuras.

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